O medo de delegar só atrasa o seu crescimento
Divulgação
O medo de delegar só atrasa o seu crescimento


Por alguns anos, depois que empreendi, eu acreditei que não teria nem sequer um fim de semana para descansar. Férias? Nem pensar! A preocupação fazia parte de minha rotina e a ansiedade já não era um sintoma, era uma característica que me acompanhava. Eu dedicava todo o meu tempo ao meu negócio e vivia por ele, para ele, sem pensar em mais nada.

E isso não deu certo. Os dois primeiros anos de empreendedorismo foram muito difíceis. Meu sócio (e, hoje, marido), Rômulo Figurelli, foi quem conversou com meu tio, um empresário experiente e bem-sucedido, para entender como poderíamos salvar o negócio. O conselho veio depressa: vendam-no, antes que precisem fechá-lo.

Eu fiquei mal. Mas sabe aquela história que diz que quando você chega no fundo do poço tem uma mola que te empurra para cima? Pois é, o conselho do tio Jorge me impulsionou e eu decidi que precisava mudar todo o processo, o foco do negócio. Pesquisamos muito, mudamos, testamos, enfrentamos desafios e deu certo. Mas eu continuava sem nem sequer um minuto de descanso porque não tínhamos como arcar com os custos de bons profissionais. Eu tinha, entretanto, uma meta: assim que possível, nos profissionalizaríamos a empresa a ponto de termos conosco profissionais melhores e mais capazes do que nós, os sócios.

Assim aconteceu. Há pouco mais de um ano, conseguimos investir na sede que sempre almejamos: espaçosa, com estrutura para abrigar uma boa equipe e manter um ambiente corporativo agradável e humanizado. Paralelamente, contratamos excelentes profissionais, que agregaram segurança para que pudéssemos deixar com eles atividades que, até então, realizávamos e não nos permitiam inovar.

Muita coisa mudou a partir do momento em que eu pude delegar. E, quando falo essa palavra, delegar, eu não a utilizo da boca para fora: é uma ação legítima, confiante, porque escolhemos profissionais realmente capazes.

Meus finais de semana já são diferentes. Agora, com duas filhas pequenas, consigo me dedicar à maternidade e programar férias. Tenho uma rede que trabalha todos os dias do mês e tem pico de movimento nos finais de semana, mas que funciona sem mim. Se eu precisar me ausentar, sei que a empresa ficará bem. Sou importante, mas não insubstituível - ao menos, por alguns dias.

Empreender é uma atividade que exige coragem mas, acima de tudo, requer estratégia e humildade. Quando entendemos que precisamos formar uma equipe melhor do que somos, avançamos, porque o líder que alimenta seu ego não entendeu nada sobre pessoas.

*  Gabrielle Bernardon é fundadora e co-CEO da Blow Escova Inteligente, rede de franquias de escovarias, com 70 operações próprias e franqueadas (entre implantadas e em fase de implantação). www.meublow.com.br

    Compartilhar
    Tags: Redacao
    Comentários
    Clique aqui e deixe seu comentário!

    Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

    Mais Recentes