Menos vacinação, mais riscos: como o setor de saúde reage à queda no número de imunizados
Gestora de saúde da Saúde Livre Vacinas, Rosane Orth Argenta, explica o papel das clínicas privadas na ampliação do acesso e da informação sobre imunização
Menos vacinação, mais riscos: como o setor de saúde reage à queda no número de imunizados
No mês em que é celebrado o Dia Nacional da Vacinação, em 17 de outubro, conferir a caderneta de toda a família é um ato de amor. Além de certificar-se de que todos os imunizantes previstos para cada faixa etária foram aplicados, a data também serve como um lembrete para checar aquelas vacinas que exigem novas aplicações ao longo da vida; isso porque, embora elas criem uma memória no sistema imunológico, o nível de proteção pode diminuir com o passar do tempo.
Segundo a Dra. Rosane Orth Argenta, CEO e gestora de saúde da Saúde Livre Vacinas, rede especialista em imunização, o esquema vacinal completo e o complementar desempenham papel fundamental na saúde individual e coletiva. “Há 14 anos, a Saúde Livre atua como um braço adicional à rede pública, oferecendo imunizantes além dos previstos no calendário básico. Apenas no primeiro semestre deste ano, nossas mais de 150 clínicas ativas imunizaram aproximadamente 230 mil pessoas, destas, cerca de 70 mil doses aplicadas foram da influenza e 50 mil contra a meningite B. Para esse mês, algumas unidades estão mobilizando ações regionais de conscientização em escolas, entidades assistenciais e em locais de grande circulação, com o objetivo de levar informação qualificada e aumentar o número de indivíduos protegidos”, explica.Contudo, ampliar esse alcance ainda é um desafio no país. O Programa Nacional de Imunizações (PNI) estabelece como meta, para a maioria dos imunizantes, uma cobertura de 95%, índice importante para garantir a proteção coletiva. Em 2024, porém, a cobertura permaneceu em torno de 85%, abaixo do recomendado. Esse cenário contribui para a reintrodução de doenças que foram contidas, como o sarampo. Em São Paulo, a doença chegou a 40 casos confirmados em 2026, segundo balanço do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) estadual divulgado em 1º de outubro. Desses, 30 pacientes não tinham registro de vacinação ou estavam com o esquema incompleto, de acordo com o governo estadual.“Hoje, um dos principais desafios é a hesitação vacinal, alimentada pela desinformação e por fake news que infelizmente ainda circulam, principalmente nas redes sociais. Quando as pessoas deixam de se vacinar, aumentam as chances de doenças já controladas voltarem a circular, além de expor grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com comorbidades, a complicações graves. Por isso, a mobilização dos profissionais de saúde, o acesso a informações confiáveis e o cumprimento dos esquemas vacinais são fundamentais para ampliar a proteção da população”, destaca.Nesse cenário, a Saúde Livre Vacinas tem como uma de suas frentes a disseminação de informações baseadas em evidências científicas e apresentadas de forma acessível. A rede também oferece orientação para esclarecer dúvidas e conteúdos educativos para ajudar a população a tomar decisões mais seguras sobre a própria saúde. A expectativa é que, com o apoio dessas iniciativas, o total de doses aplicadas chegue a aproximadamente 300 mil até o final de 2026.
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