
IA além do chatbot: empresas usam tecnologia para reinventar serviços tradicionais
A inteligência artificial começa a deixar para trás o uso restrito a chatbots e ferramentas de produtividade e passa a ocupar espaço dentro da própria operação das empresas, e até mesmo na criação de novos negócios. No Brasil, 42% dos executivos afirmam que suas organizações usam IA com o objetivo de promover mudanças estruturais, acima da média global de 34%, segundo a edição 2026 do estudo State of AI in the Enterprise, da Deloitte. O levantamento ouviu mais de 3 mil executivos em 24 países, incluindo 115 brasileiros.
Um dos movimentos é levar a tecnologia para setores tradicionalmente pouco digitalizados. É o caso da Tenvê, startup que atua no mercado de vistorias cautelares veiculares. O negócio recebeu R$ 600 mil de investimento e utiliza fotos e dados coletados pelo celular para alimentar uma operação apoiada por Inteligência Artificial. O sistema cruza informações e ajuda a identificar inconsistências, enquanto a validação final permanece com um corpo técnico especializado.“Os novos carros estão cada vez mais tecnológicos, e os serviços ao redor dele, como a vistoria cautelar, também precisam acompanhar esse movimento. É nesse momento que a IA deixa de ser apenas uma ferramenta e passa a fazer parte da própria evolução do serviço”, afirma Lucas Silveira, CEO de Tenvê.A startup tem 15 operadores licenciados e projeta chegar a 50 até o fim de 2026. O modelo permite realizar a coleta das informações pelo celular, enquanto a análise e a emissão do laudo são centralizadas por um time técnico da empresa. Para Michael, a combinação entre esse sistema e o conhecimento especializado, é justamente o que permite levar IA para um serviço tradicional sem transformar a automação em substituição da expertise profissional.“Nosso objetivo não é colocar a IA no lugar do especialista, mas fazer com que ela aumente a capacidade de análise e dê mais escala para um serviço que depende de conhecimento técnico. A tecnologia entra como infraestrutura do negócio”, diz.A companhia oferece diferentes modalidades de avaliação, como laudo estrutural, consulta e laudo completo, com informações relacionadas ao histórico e à procedência do veículo. Também desenvolve uma modalidade específica para veículos elétricos, inicialmente em um projeto-piloto na unidade de Atibaia (SP).“A IA não precisa necessariamente estar na frente do consumidor para transformar um negócio. Muitas vezes, o maior potencial está em usar essas ferramentas para reorganizar processos que já existem, cruzar informações e reduzir etapas que antes dependiam exclusivamente de trabalho manual e muito mais suscetível a erros. Foi essa lógica que aplicamos à vistoria cautelar”, afirma o CEO de Tenvê.