O que define o retorno do fertilizante depois da compra
Com boa parte dos fertilizantes já adquirida para a próxima safra, o foco do produtor começa a mudar. Agora, o desafio é garantir que esse investimento se traduza em produtividade no campo. O tema ganha relevância em um momento em que o planejamento das principais culturas brasileiras avança em ritmos diferentes. Cerca de 90% dos fertilizantes necessários para a soja 2026/27 já foram comprados, segundo estimativa da Agrinvest, enquanto as aquisições para o milho 2027 estão em aproximadamente 45%. Juntas, soja, milho e cana-de-açúcar representam mais de 73% do consumo nacional de fertilizantes, de acordo com o Ministério da Agricultura. Nesse cenário, mais do que acompanhar o preço dos insumos, o desafio passa a ser maximizar o retorno de cada hectare cultivado.
"Depois da compra dos fertilizantes, começa uma etapa tão importante quanto a negociação dos insumos: garantir que eles sejam utilizados da forma mais eficiente possível. Isso exige conhecer as características do solo, as necessidades da cultura e as condições de manejo da área. Quando a nutrição é planejada de forma estratégica, aumenta-se o potencial de produtividade e o retorno sobre o investimento realizado", afirma Luis Schiavo, CEO da Naval Fertilizantes, empresa especializada em produtos biológicos, nutrição e tecnologia de aplicação para lavouras.Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil importou 7,4% menos fertilizantes em volume do que no mesmo período de 2025, enquanto os gastos com as compras externas cresceram 7,3%, chegando a US$ 8,8 bilhões. O movimento mostra como preço, oferta internacional e câmbio continuam influenciando a formação dos custos no campo.Nesse contexto, o custo por tonelada é apenas uma parte da conta. A análise passa também pela quantidade de nutrientes necessária para cada área, pelas características do solo e pela capacidade da planta de aproveitá-los. “Uma mesma quantidade de fertilizante pode ter resultados diferentes dependendo do histórico do talhão, do manejo adotado e das condições encontradas durante o desenvolvimento da cultura”, avalia Schiavo.Outro ponto é que a estratégia não termina com a aplicação. O acompanhamento da lavoura permite identificar se o planejamento nutricional está respondendo às condições reais do campo e, quando necessário, ajustar o manejo. “Nutrição não deve ser tratada como uma etapa isolada. Ela precisa estar conectada ao manejo da propriedade e ao acompanhamento da lavoura, porque o potencial produtivo depende de uma combinação de fatores”, explica o executivo.A diferença entre culturas também mostra que o cronograma de cada uma segue em momentos distintos. Enquanto a soja 2026/27 já entra no plantio com grande parte das necessidades de fertilizantes contratada, a segunda safra de milho de 2027 ainda tem cerca de 55% das compras em aberto, segundo a Agrinvest. Para quem já garantiu os insumos, a atenção agora se volta para a execução, com diagnóstico do solo, equilíbrio nutricional, estratégia de aplicação e acompanhamento do desenvolvimento da cultura, enquanto crédito, clima, janela de plantio e expectativa de área ainda podem influenciar as decisões para o milho nos próximos meses."Em um cenário em que cada investimento precisa ser bem aproveitado, o mais importante não é apenas quanto o produtor pagou pelo fertilizante, mas qual retorno esse insumo pode gerar na lavoura. O manejo adequado é o que transforma esse investimento em produtividade", conclui o CEO da Naval Fertilizantes.
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